Conserto de Fonte ATX — Lição 1: Entrada, Primário e Diagnóstico Inicial

Tempo de leitura: 21 min

Escrito por blackzig
em 03/10/2026

Primeira lição de conserto de fontes ATX: conheça a fonte por dentro, entenda o caminho da energia no primário e aprenda a testar fusível, NTC, diodos e ponte retificadora com segurança.

Conserto de fonte ATX: Esta é a primeira lição de uma sequência estruturada para aprender conserto de fontes ATX de computadores.

O objetivo não será decorar componentes nem sair trocando peças aleatoriamente.

Vamos aprender a raciocinar desta forma:

sintoma
   ↓
bloco provável
   ↓
teste
   ↓
componente suspeito
   ↓
confirmação
   ↓
reparo
   ↓
teste final

Nesta primeira lição, vamos estudar principalmente a entrada da fonte e o início do circuito primário, acompanhando o caminho que a energia percorre desde a tomada.

O material-base desta aula apresenta fontes ATX tradicionais, inclusive modelos antigos com seletor manual de 115/230 V. Ao longo da lição, também vamos diferenciar esses projetos das fontes modernas com entrada automática.

Table of Contents

Conserto de fonte ATX: 1. O que vamos dominar hoje

Nesta primeira lição, você aprenderá:

  • o que é uma fonte ATX;
  • como identificar suas partes externas;
  • como abrir uma fonte de maneira organizada;
  • o que significa lado primário e lado secundário;
  • como acompanhar trilhas da placa;
  • o caminho inicial da energia elétrica;
  • a função do fusível;
  • a função do NTC;
  • a função dos diodos retificadores;
  • o que faz uma ponte retificadora;
  • o papel dos capacitores do primário;
  • como procurar curto-circuito sem energizar a fonte;
  • como testar fusível, NTC e diodos com multímetro;
  • erros comuns que podem destruir componentes novos.

A meta desta aula é que você consiga olhar para uma fonte aberta e reconhecer o primeiro bloco de alimentação.

2. Antes de qualquer coisa: segurança

Uma fonte ATX não deve ser tratada como um circuito eletrônico de baixa tensão comum.

Dentro dela existe uma região ligada diretamente à rede elétrica.

Mesmo depois que o cabo de força é removido, os capacitores do primário podem permanecer carregados com tensão perigosa.

Em uma fonte ligada a uma rede de aproximadamente 127 V AC, uma retificação convencional pode produzir perto de:

127 × 1,414 ≈ 180 V DC

Em 220 V AC:

220 × 1,414 ≈ 311 V DC

Fontes modernas com PFC ativo podem trabalhar com um barramento próximo da faixa de 380 a 400 V DC.

Uma fonte desligada da tomada não deve ser considerada automaticamente descarregada.

Nesta lição, os testes práticos serão feitos com a fonte desconectada da rede e com o circuito descarregado.

Medições com o primário energizado exigem conhecimento adicional, instrumentos adequados e procedimentos de bancada que estudaremos separadamente.

3. Nunca descarregue capacitor provocando curto

Não use chave de fenda, alicate ou outro objeto metálico para curto-circuitar diretamente os terminais de um capacitor de alta tensão.

Isso pode provocar:

  • faísca intensa;
  • corrente muito elevada;
  • danos às trilhas;
  • danos ao capacitor;
  • projeção de metal;
  • susto e acidente.

O procedimento adequado envolve descarga controlada e confirmação com instrumento de medição.

Nesta fase do curso, a regra será simples:

Antes de tocar ou medir o primário, confirme que a fonte está fora da tomada e que os capacitores não apresentam tensão perigosa.

4. O que é uma fonte ATX

A fonte ATX transforma a energia da rede elétrica em tensões adequadas para os componentes do computador.

De forma simplificada:

Rede elétrica AC
      ↓
Entrada e proteção
      ↓
Retificação
      ↓
Alta tensão DC
      ↓
Chaveamento
      ↓
Transformador
      ↓
Retificação secundária
      ↓
Filtragem
      ↓
12 V / 5 V / 3,3 V e outras tensões

Nesta aula estudaremos apenas o começo desse caminho.

5. Conhecendo a parte externa

Em uma fonte ATX podemos encontrar:

  • entrada para o cabo de força;
  • ventoinha;
  • etiqueta com especificações;
  • cabos e conectores de saída;
  • chave liga/desliga em alguns modelos;
  • seletor 115/230 V em fontes antigas.

Chave liga/desliga

Parece óbvio, mas faz parte do diagnóstico.

Se a fonte possui chave traseira e ela estiver na posição desligada, o computador não receberá alimentação.

Antes de abrir qualquer equipamento, comece pelo básico.

Seletor 115/230 V

Fontes ATX antigas podem possuir uma chave seletora.

Esse seletor precisa estar configurado corretamente para a rede utilizada.

Uma seleção incorreta pode provocar falha grave.

Fontes modernas normalmente possuem entrada automática, frequentemente indicada por algo semelhante a:

100-240 V~
50-60 Hz

Nesse caso, não existe seletor manual.

6. Leia a etiqueta antes de abrir a fonte

Antes de desmontar a fonte, observe a etiqueta.

Procure informações como:

  • fabricante;
  • modelo;
  • potência declarada;
  • tensão de entrada;
  • frequência;
  • correntes das saídas;
  • presença de entrada universal.

Isso já ajuda a entender que tipo de projeto você encontrará.

Uma fonte antiga de 250 W com seletor manual pode ser completamente diferente de uma fonte moderna de 650 W com PFC ativo.

7. Organização durante a desmontagem

Para abrir uma fonte ATX, normalmente removemos os parafusos da tampa.

Uma prática simples evita vários problemas:

Separe imediatamente todos os parafusos em um recipiente.

Parafusos soltos na bancada podem:

  • cair dentro da fonte;
  • provocar curto posteriormente;
  • desaparecer;
  • ser confundidos com outros parafusos.

Também observe a posição da ventoinha, dos cabos e das peças antes de desmontar.

Fotos tiradas antes da desmontagem podem ajudar muito na montagem.

8. Limpeza inicial

Fontes antigas frequentemente acumulam muita poeira.

A sujeira dificulta:

  • inspeção visual;
  • identificação dos componentes;
  • leitura das marcações;
  • análise das soldas.

Para limpeza inicial, podemos utilizar ferramentas adequadas, como pincel antiestático e equipamentos próprios para remoção de poeira.

Evite produzir eletricidade estática ou danificar componentes mecanicamente.

A limpeza também permite encontrar defeitos visuais como:

  • capacitor estufado;
  • componente escurecido;
  • resistor carbonizado;
  • trilha queimada;
  • solda trincada;
  • conector aquecido.

9. Primário e secundário

Uma fonte chaveada é dividida em regiões.

As duas mais importantes para começar são:

Primário

É o lado ligado à rede elétrica.

Aqui encontramos componentes como:

  • fusível;
  • filtro de entrada;
  • NTC;
  • ponte retificadora ou diodos;
  • capacitores de alta tensão;
  • transistores ou MOSFETs de chaveamento;
  • circuito de controle primário.

Secundário

É o lado eletricamente isolado da rede pelo transformador principal.

Aqui encontramos os circuitos que geram e filtram as tensões utilizadas pelo computador.

Por enquanto, concentre-se nesta ideia:

Tomada → primário → transformador → secundário → computador

10. O caminho inicial da energia

No material-base, acompanhamos fisicamente as trilhas da placa.

Essa é uma habilidade fundamental.

O caminho simplificado pode ser representado assim:

Rede AC
  ↓
Fusível
  ↓
Proteção / filtro de entrada
  ↓
NTC
  ↓
Ponte retificadora ou quatro diodos
  ↓
Capacitor(es) do primário
  ↓
Circuito de chaveamento

Em fontes reais, a ordem exata de alguns componentes pode variar.

Também podem existir:

  • MOV;
  • bobinas;
  • capacitores X;
  • capacitores Y;
  • filtros EMI;
  • relés;
  • circuitos de PFC.

Vamos estudá-los em lições posteriores.

11. Aprendendo a seguir trilhas

Uma placa de circuito impresso contém trilhas de cobre que interligam os componentes.

Ao observar uma fonte, não pense apenas:

“Este componente parece ser um fusível.”

Pense:

“De onde esta trilha vem e para onde ela vai?”

Esse raciocínio permite reconstruir o circuito mesmo sem esquema elétrico.

Exemplo:

entrada AC
   ↓
trilha
   ↓
fusível
   ↓
trilha
   ↓
NTC
   ↓
trilha
   ↓
ponte retificadora

Essa habilidade será utilizada durante todo o curso.

12. O que é um jumper

Em algumas placas você encontrará pequenos fios rígidos atravessando trechos da placa.

Eles funcionam como ligações elétricas e podem ser chamados de jumpers.

Um jumper pode ser usado quando o projetista precisa levar uma conexão de um ponto a outro sem criar uma trilha naquele caminho.

Para o diagnóstico, trate o jumper como qualquer outro condutor:

ponto A ───── jumper ───── ponto B

Ele também pode apresentar:

  • solda quebrada;
  • corrosão;
  • rompimento mecânico.

13. O fusível

O fusível é um dos primeiros componentes que encontramos no caminho da rede elétrica.

Sua função principal é interromper a corrente quando ocorre uma condição anormal suficientemente intensa.

Se o fusível estiver aberto, a fonte pode ficar completamente morta.

Porém existe uma regra essencial:

Fusível queimado normalmente é consequência de um problema, não necessariamente a causa principal.

Se você simplesmente trocar o fusível sem descobrir por que ele abriu, o novo fusível pode queimar imediatamente.

14. Nunca aumente o valor do fusível por tentativa

Não substitua um fusível por outro de corrente maior simplesmente para evitar que ele queime.

O componente de reposição deve respeitar as especificações do projeto.

Observe:

  • corrente nominal;
  • tensão nominal;
  • tipo rápido ou retardado;
  • dimensões;
  • características especificadas pelo fabricante.

Exemplo:

T3.15A 250V

O T normalmente indica fusível de ação retardada.

A escolha do fusível faz parte da proteção do equipamento.

15. Testando o fusível

Com a fonte:

  • desconectada da tomada;
  • descarregada;
  • sem alimentação externa;

coloque o multímetro em continuidade ou resistência.

Meça as duas extremidades do fusível.

Um fusível íntegro deve apresentar continuidade e resistência muito baixa.

Um fusível aberto não apresentará continuidade.

Representação:

fusível bom:
[ ponta ]──────[ fusível ]──────[ ponta ]
                  continuidade

fusível aberto:
[ ponta ]────── X ──────────────[ ponta ]
                sem continuidade

Se estiver aberto, não coloque outro antes de investigar curto no primário.

16. O NTC

O NTC é um resistor cujo valor diminui quando sua temperatura aumenta.

Em fontes ATX ele é frequentemente utilizado para limitar a corrente de partida.

Ao ligar a fonte, os capacitores do primário estão descarregados e inicialmente podem puxar uma corrente elevada.

O NTC ajuda a reduzir esse impacto.

Depois que aquece, sua resistência diminui.

17. Como reconhecer um NTC

Ele costuma ter formato de disco.

Pode aparecer em cores como:

  • preto;
  • verde;
  • azul;
  • outras, dependendo do fabricante.

Não confie apenas na cor.

Leia a marcação do componente sempre que possível.

18. Testando o NTC

Com a fonte desligada e descarregada, podemos medir sua resistência.

Um NTC de entrada normalmente apresenta resistência relativamente baixa quando frio, mas não existe um valor universal válido para todas as fontes.

O valor depende de:

  • modelo;
  • temperatura;
  • corrente prevista;
  • projeto da fonte.

Portanto, não adote como regra:

"todo NTC deve medir menos de 10 ohms"

Alguns podem apresentar poucos ohms, outros valores diferentes.

O melhor procedimento é:

  1. ler a marcação;
  2. consultar a especificação quando possível;
  3. verificar se o componente não está aberto;
  4. verificar se há sinais de trinca ou dano térmico;
  5. comparar a medição com o valor esperado do componente.

19. NTC aberto

Se o NTC estiver eletricamente aberto no caminho de entrada, a alimentação pode não chegar aos estágios seguintes.

O sintoma pode ser:

  • fonte completamente morta;
  • ausência de funcionamento do circuito de standby;
  • nenhuma reação ao comando de partida.

Entretanto, antes de condenar o NTC, verifique também suas soldas.

20. Solda trincada pode imitar componente aberto

Um componente bom pode parecer defeituoso se sua solda estiver quebrada.

Isso acontece bastante em componentes:

  • pesados;
  • que aquecem;
  • submetidos a vibração;
  • próximos da entrada.

Inspecione com boa iluminação e, se necessário, lupa.

Procure:

  • anel ao redor do terminal;
  • solda opaca;
  • fissura;
  • terminal solto.

Não faça ressolda indiscriminada.

Primeiro identifique a falha.

21. Ponte retificadora e diodos

Depois da entrada e dos elementos de proteção, encontramos o estágio de retificação.

Algumas fontes utilizam quatro diodos individuais.

Outras utilizam uma ponte retificadora encapsulada.

Eletricamente, a ponte contém quatro diodos organizados para retificação de onda completa.

Representação simplificada:

       AC ~
        │
   ┌────┴────┐
   │  ponte  │
   │retific. │
   └────┬────┘
        │
      + DC -

A entrada é corrente alternada.

A saída é uma tensão pulsante com polaridade definida, que será filtrada pelos capacitores do primário.

22. O diodo conduz em um sentido

Um diodo de silício em boas condições normalmente conduz em um sentido e bloqueia no sentido inverso.

No multímetro em modo diodo, uma leitura típica pode ficar aproximadamente na faixa de:

0,4 V a 0,8 V

dependendo do componente e das condições de teste.

Alguns multímetros mostram isso como números como:

400
500
600
700

quando a escala representa milivolts.

O importante não é decorar um número exato.

O importante é entender o comportamento:

sentido direto  → conduz
sentido reverso → bloqueia

23. Testando um diodo

Com o circuito desligado e descarregado:

  1. coloque o multímetro no modo diodo;
  2. meça o componente em um sentido;
  3. inverta as pontas;
  4. compare as leituras.

Comportamento esperado:

sentido 1 → queda de tensão
sentido 2 → OL / aberto

Se medir praticamente zero nos dois sentidos, pode existir curto.

Se aparecer aberto nos dois sentidos, o diodo pode estar aberto.

A medição dentro do circuito pode ser influenciada por outros componentes.

Quando houver dúvida, pode ser necessário isolar um terminal.

24. A faixa no corpo do diodo

Diodos possuem polaridade.

A faixa impressa no corpo normalmente identifica o cátodo.

Ao substituir um diodo, a orientação precisa ser respeitada.

Antes de remover o componente:

  • fotografe;
  • marque a posição;
  • observe a serigrafia da placa.

Montar um diodo invertido pode impedir o funcionamento e provocar danos.

25. Diodo em curto e fusível queimado

Um defeito muito comum no primário é curto em um componente da retificação ou do chaveamento.

Quando um diodo da ponte entra em curto, ele pode provocar corrente muito elevada.

O resultado pode ser:

diodo em curto
      ↓
corrente excessiva
      ↓
fusível abre
      ↓
fonte morta

Por isso:

Depois de encontrar um fusível aberto, investigue curto antes de instalar um fusível novo.

26. Testando uma ponte retificadora

Uma ponte retificadora costuma possuir quatro terminais:

~
~
+
-

Os dois terminais ~ recebem corrente alternada.

Os terminais + e - fornecem a saída retificada.

Como internamente existem quatro diodos, o teste é feito verificando os caminhos de condução entre:

  • cada terminal AC e +;

  • - e cada terminal AC;

sempre observando condução em um sentido e bloqueio no outro.

Não trate todos os terminais como equivalentes.

Primeiro identifique a marcação da ponte.

27. Capacitores do primário

Depois da retificação encontramos um ou mais capacitores eletrolíticos de alta tensão.

Em fontes antigas com seletor manual, é comum encontrar dois capacitores trabalhando em uma configuração associada ao seletor de tensão.

Em projetos modernos, é comum encontrar um grande capacitor de barramento após a retificação e, quando existe PFC ativo, após o estágio de correção do fator de potência.

Esses capacitores armazenam energia.

É justamente por isso que continuam perigosos mesmo depois que a fonte sai da tomada.

28. Capacitor pode carregar durante a própria medição

Ao medir resistência em um circuito que contém capacitores, você pode observar a leitura mudar.

Isso acontece porque o multímetro injeta uma pequena corrente e o capacitor começa a carregar.

Por exemplo:

leitura inicialmente baixa
        ↓
valor aumenta
        ↓
tende a uma resistência maior

Portanto, não interprete automaticamente uma leitura momentaneamente baixa como curto.

Curto verdadeiro tende a permanecer com resistência muito baixa.

Mesmo assim, circuitos paralelos podem alterar a leitura.

29. Não existe a regra “tem que dar infinito”

Em uma placa montada, os capacitores estão ligados a vários outros componentes.

Podem existir:

  • resistores de descarga;
  • resistores de partida;
  • redes de medição;
  • semicondutores;
  • bobinas;
  • circuitos auxiliares.

Por isso, uma medição de resistência no barramento não precisa necessariamente mostrar infinito.

O objetivo é identificar um curto persistente ou resistência anormalmente baixa, considerando o circuito.

30. Procurando curto antes de energizar

Depois de encontrar fusível queimado, uma sequência inicial mais segura é:

1. Fonte fora da tomada
2. Confirmar descarga do primário
3. Inspeção visual
4. Testar fusível
5. Verificar curto no barramento
6. Testar ponte/diodos
7. Verificar semicondutores do primário
8. Só depois pensar em energização controlada

Nesta primeira lição estudamos os itens até a retificação.

MOSFETs e transistores de potência serão estudados mais adiante.

31. Por que trocar apenas o fusível é um erro

Imagine:

fusível queimado
      ↓
técnico troca o fusível
      ↓
diodo continua em curto
      ↓
fonte é ligada
      ↓
novo fusível queima

Agora imagine um defeito ainda mais grave.

O novo fusível pode não ser a única peça afetada.

Por isso o diagnóstico precisa vir antes da energização.

32. Nunca substitua componente por “um maior” sem critério

O material-base sugere em alguns momentos substituir certos componentes por equivalentes “iguais ou maiores”.

Essa regra é perigosa quando aplicada sem análise.

Um componente deve ser substituído com base em parâmetros elétricos específicos.

Para um NTC, por exemplo, podem importar:

  • resistência a 25 °C;
  • corrente nominal;
  • energia suportada;
  • diâmetro;
  • comportamento térmico.

Para um diodo:

  • tensão reversa;
  • corrente;
  • velocidade;
  • encapsulamento;
  • dissipação.

Para um fusível:

  • corrente;
  • tensão;
  • curva de atuação;
  • capacidade de interrupção.

Em eletrônica, “maior” não significa automaticamente “melhor”.

33. O que podemos aprender pela inspeção visual

Antes do multímetro, use os olhos.

Procure:

  • fusível escurecido;
  • NTC trincado;
  • diodo rachado;
  • ponte queimada;
  • capacitor estufado;
  • vazamento;
  • placa escurecida;
  • solda quebrada;
  • trilha rompida;
  • componente carbonizado.

Mas lembre-se:

Um componente pode estar eletricamente defeituoso e parecer perfeito externamente.

A inspeção visual é o começo, não o diagnóstico completo.

34. Ferramentas úteis nesta etapa

Para esta fase do curso, são úteis:

  • chave Phillips adequada;
  • pinça;
  • multímetro digital;
  • lupa;
  • iluminação de bancada;
  • pincel apropriado;
  • recipiente para parafusos;
  • câmera ou celular para registrar posições.

Mais adiante adicionaremos outras ferramentas.

35. O multímetro será nossa principal ferramenta

Nesta lição usamos principalmente:

Continuidade

Para verificar caminhos elétricos simples.

Exemplos:

  • fusível;
  • jumper;
  • trilha;
  • conexão.

Resistência

Para procurar:

  • componente aberto;
  • resistência anormal;
  • curto persistente.

Modo diodo

Para testar:

  • diodos;
  • junções de semicondutores;
  • ponte retificadora.

Nesta etapa, não precisamos energizar a fonte para aprender esses testes.

36. Diagnóstico inicial: fonte completamente morta

Imagine uma fonte que não apresenta nenhuma reação.

O raciocínio inicial pode ser:

fonte morta
   ↓
há caminho elétrico de entrada?
   ↓
fusível está bom?
   ↓
NTC está íntegro?
   ↓
ponte retificadora está em curto ou aberta?
   ↓
existe curto no barramento?

Observe que ainda não estamos afirmando qual peça queimou.

Estamos eliminando possibilidades.

Esse é o raciocínio correto de diagnóstico.

37. Exemplo prático de sequência

Suponha que encontramos:

fusível = aberto

Não troque imediatamente.

Faça:

1. confirmar fusível aberto
2. inspecionar visualmente o primário
3. verificar curto no barramento
4. testar os quatro diodos ou a ponte
5. verificar se algum semicondutor está em curto
6. identificar a causa
7. substituir os componentes defeituosos
8. revisar soldas e trilhas
9. somente então preparar o teste de energização

É assim que começamos a deixar de ser “trocadores de peças” e passamos a diagnosticar.

38. Erros comuns de iniciante

Erro 1 — trocar o fusível e ligar

Pode queimar novamente.

Erro 2 — colocar fusível mais forte

Pode comprometer a proteção e aumentar os danos.

Erro 3 — medir diodo em apenas um sentido

O teste precisa comparar os dois sentidos.

Erro 4 — esquecer a orientação do diodo

Pode provocar falha ou dano.

Erro 5 — considerar toda leitura baixa como curto

Capacitores e caminhos paralelos podem enganar.

Erro 6 — confiar apenas na aparência

Muitos componentes defeituosos não apresentam dano visual.

Erro 7 — tocar o primário porque a fonte está fora da tomada

O capacitor pode continuar carregado.

Erro 8 — fazer medições energizadas cedo demais

O primário energizado possui tensão potencialmente letal.

39. Mapa mental desta primeira lição

Guarde este mapa:

REDE ELÉTRICA
     │
     ▼
[FUSÍVEL]
     │
     ▼
[FILTRO / PROTEÇÃO]
     │
     ▼
[NTC]
     │
     ▼
[PONTE RETIFICADORA]
     │
     ▼
[CAPACITOR DO PRIMÁRIO]
     │
     ▼
[CHAVEAMENTO]

Nesta lição dominamos principalmente os quatro primeiros blocos.

40. Exercícios

Resolva antes de consultar novamente o texto.

1. Identificação

Explique com suas próprias palavras a diferença entre:

  • primário;
  • secundário.

2. Caminho da energia

Coloque os componentes em uma ordem lógica:

ponte retificadora
fusível
capacitor do primário
NTC
rede elétrica

3. Fusível queimado

Uma fonte chegou com o fusível aberto.

Qual é a atitude correta?

A) colocar um fusível maior;

B) trocar o fusível e ligar imediatamente;

C) investigar curto e a causa da sobrecorrente antes de energizar;

D) retirar o fusível e colocar um fio.

4. Teste de diodo

Um diodo mede praticamente zero nos dois sentidos no modo diodo.

Qual defeito é provável?

5. NTC

Explique por que não podemos afirmar que todo NTC de fonte ATX precisa medir exatamente o mesmo valor.

6. Trilhas

Pegue uma placa eletrônica desligada e tente acompanhar uma trilha visualmente de um componente a outro.

Não precisa ser uma fonte ATX.

O objetivo é treinar a leitura física da placa.

41. Desafio — monte o diagnóstico no papel

Considere o seguinte caso:

Sintoma:
fonte completamente morta

Inspeção:
fusível aberto

Medição:
um diodo da ponte conduz nos dois sentidos

Explique:

  1. qual componente provavelmente apresenta defeito;
  2. por que o fusível pode ter aberto;
  3. por que não devemos simplesmente trocar o fusível;
  4. o que deve ser verificado antes de energizar a fonte novamente.

42. Desafio extra — análise sem esquema

Imagine que você possui uma fonte antiga e nenhum esquema elétrico.

Você identifica:

  • entrada AC;
  • fusível;
  • NTC;
  • quatro diodos;
  • dois grandes capacitores eletrolíticos.

Desenhe no papel um diagrama em blocos mostrando o caminho provável da energia.

Não precisa desenhar o circuito eletrônico completo.

O objetivo é aprender a transformar a placa física em um modelo mental do circuito.

Meta antes da Lição 2

Antes de avançar, você deve conseguir explicar com suas próprias palavras:

  • o que é uma fonte ATX;
  • o que é o primário;
  • por que o primário é perigoso;
  • por que um capacitor pode continuar carregado;
  • qual é a função do fusível;
  • por que fusível queimado pode indicar outro defeito;
  • o que faz um NTC;
  • o que faz uma ponte retificadora;
  • como um diodo deve se comportar no modo diodo;
  • por que precisamos medir um diodo nos dois sentidos;
  • por que a orientação do diodo importa;
  • como seguir uma trilha da placa;
  • por que não devemos aumentar o valor do fusível;
  • por que não existe um único valor de resistência válido para todos os NTCs;
  • por que devemos procurar curto antes de energizar uma fonte reparada.

Você também deve conseguir entender este fluxo:

fonte morta
   ↓
inspeção visual
   ↓
fusível
   ↓
NTC
   ↓
retificação
   ↓
curto no primário?
   ↓
diagnóstico antes da troca

E, mais importante, deve entender a ideia central desta lição:

No conserto de uma fonte ATX, primeiro entendemos o caminho da energia. Depois medimos. Somente então substituímos componentes.

Na Lição 2, avançaremos pelo primário para estudar com mais profundidade os capacitores de alta tensão, transistores/MOSFETs de chaveamento, circuito de partida e os principais motivos que fazem uma fonte tentar ligar e desligar imediatamente.

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